Afiadas

Cinco amigas cheias de criatividade e pontos de vista diferentes.

Sobre 8 de julho

Existe uma música do Chico Buarque que diz mais ou menos assim: Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu. No último dia 8 de julho, me senti assim: como quem perdeu não sei bem o que, com a alma cansada e um corpo que segue com os afazeres diários.

A origem da desesperança está na recente notícia de um homem negro jovem ter sido espancado até a morte, após ser despido e amarrado em um poste. O episódio ocorreu  São Luís, capital do Maranhão, e o que teria motivado a inominável atitude da vergonhosa horda seria uma tentativa de assalto.

O jornal Extra, periódico do Rio de Janeiro, fez a seguinte capa:

jornal extra

Novamente, veio outra música em minha mente, esta do Belchior e eternizada por Elisa Regina: Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais. Mas, infelizmente, nossos erros e fracassos são muito anteriores à geração dos nossos pais, remontam aos nossos tetra-avós. Repetimos a intolerância, o vexame, a execração em praça pública que deveria ter sido completamente extinta. Quantos heróis lutaram por igualdade? O que diriam Castro Alves, Joaquim Nabuco e Rui Barbosa? Estamos desonrando nossa história e o legado que nos foi confiado.

Mais: como dizer que o Brasil é de maioria cristã? Onde estão as lições de Cristo? Há muito, percebo que poucos deixam de atirar a primeira pedra porque pecaram. O pecado do outro sempre parece mais grave que os nossos.

No entanto, a lição mais esquecida é o “Amai-vos uns aos outros”. É um especial desafio amar o próximo, pois isso demanda um desprendimento raro. Amar o próximo é amar o outro quem quer que seja: sujo, mal educado, ladrão, etc.

Poderíamos esperar que estivéssemos nos aproximando desses ideais de tolerância e perdão, mas, ao que parece, estagnamos numa roda viva de repetição de erros.

Então, nessa semana em que parte de mim se foi, me resta rogar a Deus, a cada boa alma que ainda resiste que os erros do passado e do presente sejam lembrados para não serem repetidos. Definitivamente, não quero que meus filhos vivam como seus pais.

Escrito e publicado por Letícia

***Se você possui os direitos autorais sobre qualquer imagem e deseja que elas sejam removidas deste blog, por favor, entre em contato.***

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado em 10 de julho de 2015 por em Desabafo.

Navegação

%d blogueiros gostam disto: