Afiadas

Cinco amigas cheias de criatividade e pontos de vista diferentes.

Posso ser sua amiga?

Reflexão-sobre-a-Fofoca

Eu estudei por mais de dez anos em um único colégio. Conheci muitas pessoas, me vi crescendo e amadurecendo aos olhos dos meus professores, inspetores e coordenadores. Por outro lado, também presenciei muitas amigas trocando de escolas e quando eu tinha mais ou menos uns nove (talvez dez) anos, eu me vi em uma sala sozinha. Todas as minhas amigas tinham trocado de escola.

Claro que eu conhecia algumas meninas da minha sala. Estavam comigo dividindo aquele espaço da escola já há alguns anos. Mas não eram as minhas companheiras de aventura. Um dia, buscando formar um novo grupo de amigas tive uma brilhante ideia! Resolvi escrever uma carta para três meninas que andavam sempre juntas e perguntei se eu poderia me juntar ao grupo delas.

Elas receberam a carta e, por alguns dias, fizeram um suspense:

“Estamos pensando se podemos ter mais alguém andando com a gente…”

Minha ansiedade em ser aceita naquele grupo, que parecia tão bacana, quase não me permitia dormir aguardando por uma resposta. Eu perguntava à Natalia* e à Mariana* se elas se importariam se eu me juntasse a elas, e elas – meio que sem personalidade – diziam, eu não vejo problema, mas você precisa falar com a Isabella*. Estava claro que a Isabella era a “líder” daquele grupinho. Foi quando, finalmente, a Isabella que era a mais descolada e moderninha do grupo, me chamou para conversar e disse:

“Já temos uma resposta. No nosso grupo não há espaço para você. Já somos três e é aquela frase que todo mundo já conhece um é pouco, dois é bom e três é demais.”

Se eu fechar os olhos, consigo lembrar de cada gesto dela enquanto falava isso para mim. Ela não tinha coragem de falar olhando nos meus olhos, então desviava o olhar para o chão próximo a porta do auditório da escola.

Aquilo soou como uma pedrada no meu coração. Para ser sincera, se eu fosse a terceira incluída nesse grupo também teria saído correndo de lá por ser considerada em demasia. Lembro de ter chorado por dias. Acredito que foi nesse episódio que eu acabei conseguindo me misturar com os mais variados tipos de meninas da minha sala de aula. O que foi algo positivo pois hoje em dia consigo estar nos mais diferentes grupos até finalmente chegar uma amiga, tão querida, que mesmo tendo se mudado há muitos anos para o Espírito Santo, não nos perdemos.

Hoje, quando lembro desse episódio, ainda sinto um aperto no meu coração e um misto de pena. As três meninas que formavam este grupo permaneceram na escola ainda por muitos e muitos anos mas acabaram por se afastar na adolescência e para ser sincera, não sei se ainda se falam. Talvez sejam “amigas” de facebook e só. Acho que cada uma cresceu e achou o seu próprio grupo para pertencer. A tristeza que bate quando eu penso nessa história é por ver que a palavra amizade não teve força para continuar quando elas cresceram. Vai ver que todas carregavam dentro de si a ideia de serem o terceiro elemento do grupo e por isso se dispersaram.

Torço para que a minha filha, encontre seu lugar nos grupinhos da escola. Até agora, só tenho elogios para o quão social e bem-resolvida ela é. Espero, também, que ela sempre saiba receber novas amigas de coração aberto. Nunca é demais ter bons amigos. Limitar isso é mais do que perda de tempo, é perda de vida.

Cyn

* Os nomes foram trocados para preservar a identidade das meninas envolvidas na história em questão.

PS: Meninas, caso vocês acabem lendo este post: life goes on! No hard feelings. 🙂

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Informação

Publicado em 17 de março de 2015 por em Desabafo.
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