Afiadas

Cinco amigas cheias de criatividade e pontos de vista diferentes.

Bad Feminist

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Minha Dica Afiada de hoje é o livro Bad Feminist [1] da Roxane Gay. Trata-se de uma coleção de ensaios escritos de forma descontraída e marcante sobre a experiência da autora com o feminismo.
O feminismo deveria ser algo fácil de definir, qual seja, o movimento que preconiza que homens e mulheres tenham direitos iguais. Teoricamente, trata-se de conceito pacífico no mundo civilizado. Afinal, quem sinceramente discorda que homens e mulheres deveriam, por exemplo, ganhar o mesmo salário se estiverem exercendo o mesmo trabalho? Entretanto, a palavra é comumente deturpada e até mesmo banalizada por ambos os sexos. Em muitos casos, tal desvirtuamento é feito de forma inconsciente, pois os ditames socioculturais impostos a homens e mulheres são tão enraizados que passam despercebidos, mesmo pelas que se dizem feministas.

Seríamos todas más feministas?
Roxane é mulher e é negra. Ela também é professora universitária da conceituada Purdue University e uma escritora brilhante, com artigos publicados em veículos respeitadíssimos. E ela tem uma batalha interna com a culpa. Gay ama a cor rosa e sente saudades de livros impossivelmente homogêneos como Sweet Valley High, mesmo sendo ávida defensora da necessidade urgente da indústria do entretenimento diversificar seus personagens, seja em livros, séries ou filmes. Ela é radicalmente contra propagar rótulos derrogatórios a mulheres, mas ela ama hip hop e rap. Enfim, ela se culpa por ser uma contradição ambulante, mas ela também enxerga que é natural ter sentimentos ambivalentes no mundo plural de hoje.

No ensaio How to Be Friends with Another Woman [2], Gay consegue tocar em pontos importantes sobre os mitos e estereótipos tradicionalmente empregados em amizades femininas com bom humor, irreverência e uma dose de mea culpa, já que a própria autora admite ter superado sua dificuldade em ser amiga de outras mulheres.

No brilhante Some Jokes Are Funnier Than Others [3], Gay destrincha o apelo por trás das piadas grotescas e desagradáveis sobre estupro, cada vez mais populares na cultura ocidental. Por que tantas mulheres inteligentes e esclarecidas se sentem pressionadas a rirem desse humor de mau gosto? E, novamente, Gay se pergunta até que ponto ela não é cúmplice de uma sociedade que propaga o fascínio por crimes sexuais. Afinal, ela é fã de Law & Order Special Victims Unit.

Embora o feminismo seja o tópico comum de todos os ensaios, os subtemas e o tom de cada um é bem diferente. Enquanto uns focam em questões como mudanças na legislação, outros são verdadeiras confissões pessoais, daquelas que nem teríamos coragem de fazer ao nosso diário. E é com doses generosas de humildade, inteligência, sensibilidade e profundos conhecimentos de assuntos que variam de política a cultura pop, que Gay convida suas leitoras a analisarem o feminismo sob uma ótica pragmática e crua.

Fica a dica!

[1] Ainda sem tradução oficial para o português.

[2] Como ser amiga de outras mulheres (tradução livre).

[3] Algumas piadas são mais engraçadas do que outras (tradução livre).

Escrito e publicado por Fernanda Cecília

***Se você possui os direitos autorais sobre qualquer imagem e deseja que elas sejam removidas deste blog, por favor entre em contato.***

[1] Ainda sem tradução oficial para o português.

[2] Como ser amiga de outras mulheres (tradução livre).

[3] Algumas piadas são mais engraçadas do que outras (tradução livre).

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Publicado em 19 de novembro de 2014 por em Dica Afiada.
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