Afiadas

Cinco amigas cheias de criatividade e pontos de vista diferentes.

Medo de Agulhas

agulha

Eu considero que fui uma criança medrosa. Durante a minha infância, tive diversos medos como perder meus pais, dormir no escuro, cachorros e o pior de todos eles, agulhas!

Quando pequena, ouvir a palavra vacina era motivo para me deixar sem dormir, com uma verdadeira crise de ansiedade. Desmaios eram rotina durante um simples exame de sangue ou uma ida ao posto de saúde.

Quando eu digo que ser mãe fora meu grande ato de coragem, é porque superei meu maior medo. Faz parte do pré-natal vários exames de sangue e até vacinas.

A hora do parto que me deixava tão aflita, transcorreu com tanta tranquilidade que hoje em dia eu não temo as agulhas como antes.

Depois que temos filhos, não nos vemos livres das agulhadas, não! É hora de levar seu pacotinho de amor para tomar muitas vacinas e aquele chororô faz parte do repertório depois da consulta do pediatra.

Menos para mim. O chororô nunca fez parte do meu repertório. Minha filha foi um bebê diferente em muitos aspectos. Sempre dormiu muito, não teve crises de cólicas e confesso que como mãe de primeira viagem nem gostava de ficar falando essas coisas porque tinha receio de no momento que eu falasse que minha bebê dormia bem e não tinha crise de cólicas, todo esse privilégio materno se esvairia e eu teria um bebê dentro dos padrões. Mantive isto em segredo por um tempo e apenas as pessoas mais próximas a nós duas atestavam esta veracidade.

Mas de todas as coisas diferentes da minha florzinha, a que mais me surpreendia era ela não ter medo de agulhas. Ela não chorou no exame do pézinho, não chorou para tomar vacinas e continua não chorando se tivermos de fazer algum exame de sangue.

A campanha de vacinação começou e para não arruinar sua coragem –  já que eu na idade dela já estaria brincando de pique-pega com meus pais na tentativa de fugir (em vão!) da terrível ida ao posto de saúde – continuo mantendo uma estratégia de não levar para tomar vacina no dia que a campanha começa.

Alguns pais talvez concordem comigo. Choro de criança é algo meio contagioso. Tem criança que chora por mera solidariedade ao próximo. Então, já que a minha filha encara seu encontro com a seringa numa boa porque eu iria levá-la no primeiro dia onde teremos fila e dezenas de crianças chorando? Não levo! Espero passar uns dias e vamos. No caminho, conversamos e digo que doerá um pouquinho, como um beliscão, mas que ela pode segurar na minha mão e apertar o quanto quiser que depois sairemos e faremos algo divertido como tomar um sorvete ou ir a um parquinho.

Esta tática tem funcionado. Mais uma vez fomos ao posto de saúde e ela ficou tranquila durante a vacinação. Nem um ui, nem um ai! Ficou olhando seu bracinho ser furado numa frieza que eu confesso; jamais, em tempo algum, teria essa fleuma. E parece que só para me fazer rir constrangida, ao ouvir uma criança chorando, ela diz:

– Eu não estou aguentando mais esse choro.

Aí vem toda aquela psicologia materna para explicar para ela que alguns amiguinhos, como eu era, não encaram essa experiência com a mesma naturalidade que ela.

Torço para que ela continue assim, segurando na minha mão e apertando tudo o que quiser para esquecer da dor. Mas se um dia ela não resistir e chorar, mamãe também continuará ao seu lado para dar aquele aconchego, aquele carinho e colinho, que só mãe tem e secar suas lágrimas com todo amor, porque não há mal nenhum em chorar.

PS: A campanha nacional de vacinação contra poliomelite e sarampo continua em todos os municípios brasileiros até o dia 28 de novembro. Se sua criança tem entre seis meses e cinco anos incompletos, não esqueça de vaciná-la.

Cyn

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Um comentário em “Medo de Agulhas

  1. Christina
    24 de novembro de 2014

    Cyn, você é muito especial. Tinha um tempinho que não visitava o blog de vocês. Agora à noite, depois de um dia de muito trabalho, venho aqui e encontro seu post. Que lindo! Sua filha deve crescer feliz e confiante tendo você como mãe. Fico babando com a relação de vocês. É uma delícia ler o que você escreve. Sabe, hoje tive uma nostalgia, lembrei da primeira vacina que dei na minha filha. Acho que ela tinha um mês e eu já conversava com ela. Eu estava com o coração na mão, pois sabia que ia doer… Depois a gente descobre que sofrer faz parte da vida e que é muito bom ter alguém para apertar a mão. Um beijo bem grande, Christina

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Informação

Publicado em 18 de novembro de 2014 por em Ponto de Vista.
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