Afiadas

Cinco amigas cheias de criatividade e pontos de vista diferentes.

Polarização

bandeira brasil

Eu não sou, e nem tenho a ambição de ser, cientista política ou especialista nessa área. Alguns acontecimentos dessa eleição, no entanto, têm me feito refletir a respeito de como as pessoas estão encarando este segundo turno e nos transformando em uma nação dividida.

Eu sei em que vou votar, fiz minhas pesquisas, analisei propostas, tirei algumas dúvidas, superei pré-conceitos, e, desde o começo, já sabia a quem declarar o meu apoio. Meu carro tem adesivos, e sempre que alguém está em dúvida e pergunta a minha opinião eu tento, assim como um pregador trazê-lo para o meu candidato.

Acontece que nessas últimas semanas tenho reparado um descontrole das pessoas para A ou para PT. As pessoas estão sendo rotuladas, julgadas e estereotipadas de acordo com a sua manifestação de apoio a um candidato.

O debate, a argumentação, os dados, estatísticas, juízos, ideias, tudo isso é saudável e necessário, mas na minha humilde, opinião certas frases deterministas a respeito de quem vota em quem apenas empobrecem o debate e tentam transformar em simples divisão de classes uma sociedade complexa como a nossa.

Dizer que só burguês vota no PSDB, que só proletário vota no PT, que os intelectuais estão com ela e os jovens estão com ele, me parece de uma simplicidade terrível.

Frases como: “Meu voto é por todos” ou “não dá para discutir o bolsa família com quem não aceitou a Lei Áurea” me causam tanta estranheza que às vezes parece que eu não tive todo o trabalho para me decidir e marcar meu posicionamento.

Eu não sou sua inimiga porque não voto no mesmo candidato que você, todos, eu e você, queremos e deveríamos buscar uma melhor solução para o nosso país, como um todo, não para a zona sul carioca, não para os bancos, não só para inflação, mas para todos os brasileiros, e isso não deve ser uma busca apenas de quem vota na Dilma ou no Aécio. Dos dois lados, existem, quero crer, pessoas pensando no melhor.

Quarta, vi uma cena muito interessante e que demonstra bem que não existe isso de tentar identificar um eleitor pela capa. Em um restaurante, havia duas meninas, em torno dos 22 anos, vestidas quase iguais, rindo e conversando com muita afinidade, uma com um adesivo da Dilma estampado no peito e a outra com o número 45 em letras garrafais.

Podemos ser amigos e parecidos, frequentar os mesmos lugares, ter a mesma renda e votar em candidatos diferentes. Não me pareceu que a conversa enveredasse para:

– Você é uma burguesa escravocrata porque vai votar no Aécio.

– Você que é uma cotista recalcada porque vai votar na Dilma.

A pessoa mais humilde que eu conheço e que recebe bolsa família, vai votar no Aécio, a pessoa mais rica (disparada) que eu conheço vai votar na Dilma, a com o maior currículo lattes vai de Aécio, a mais limitada também, a mais heavy metal na Dilma, o mais sertanejo, também.

As pessoas não ficam burras de um dia para o outro em razão de uma eleição, elas têm discernimento para fazer as suas escolhas, algumas vão partir de temas básicos que as afetam no curto prazo, outras querem um planejamento maior e se preocupam com um maior número de temas. Algumas sempre seguiram ideologias, outras seguem seus heróis. Uns, inclusive, se preocupam intensamente com aspectos da vida privada.

Muitos, é claro, ainda seguem o modelo “farinha pouca meu pirão primeiro”, mas desses os dois candidatos terão votos.

Não vamos nos digladiar por isso, não arranhem meu carro porque eu manifestei minha opinião. Eu jamais impediria alguém de manifestar a sua, muito menos acharia alguma pessoa mais ou menos inteligente em razão de votar nela ou nele. Vivemos numa democracia e o debate tem que ser enriquecido, não uma pobreza de espírito, dedos na cara e um festival de podridão.

Por fim, gostaria de fazer uma citação com ideias de Voltaire, que para mim deveriam ser o mote desses tempos.

“Posso não concordar com nenhuma de suas palavras, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las.”[1]

Por fim, seja lá quem vença nesse domingo, que governe para todos e que prove aos que não votaram nele/a que estavam errados.

AMÉM!

Didi Vasconcelos

***Se você possui os direitos autorais sobre qualquer imagem e deseja que elas sejam removidas deste blog, por favor entre em contato.***

[1] Tradução livre do trecho encontrado em “Os amigos de Voltaire” (1906), de Evelyn Beatrice Hall.

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2 comentários em “Polarização

  1. Beatriz Massena
    26 de outubro de 2014

    É isso aí! Muito triste com a grosseria, agressividade e intolerância que imperam em nosso convívio e nas redes sociais… Beijos

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  2. Luana
    28 de outubro de 2014

    Amei! Amei! Amei! Simplesmente amei…perfeito…faço das suas as minhas palavras…sem tirar nem pôr uma vírgula sequer. As pessoas se ofenderam de graça…falaram coisas que não sabiam…insultaram uns aos outros…imperou a falta de respeito, a intolerância e o preconceito! E vale dizer que burro não é quem vota nesse ou naquele candidato…burro é quem não tem educação e não respeita a opinião e a escolha alheia…e vamos combinar: se votar em quem é a favor dos seus interesses é burrice, eu não sei mais o que é inteligência…rs…bjks.

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Informação

Publicado em 24 de outubro de 2014 por em Ponto de Vista.
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