Afiadas

Cinco amigas cheias de criatividade e pontos de vista diferentes.

Efeito colateral

Recentemente, uma querida amiga fez uma recauchutagem: silicone, lipo, ficou loira, deu uma geral. Confesso, sem o menor pudor, que fui um pouco responsável pelo acontecimento. Não que ela precisasse (no senso comum), ela já era muito bonita, mas eu sabia que ela queria mais, queria ficar deslumbrante, os acontecimentos pediam isso.

Nesse meio tempo, entre minhas sugestões de intervenções e a cirurgia em si, alertei a minha amiga para os efeitos colaterais que uma plástica pode acarretar: o excesso de amor próprio.

Expliquei que era muito possível que ela ficasse completamente desnorteada com uma beleza nova. Que isso era muito comum, pois muitas pessoas não sabiam lidar com uma beleza a que se jurava não se ter direito, ou que só era para as outras.

Isso porque já vi muitas pessoas perderem a noção do ridículo quando atingem o tão esperado ideal de beleza, quando, pela primeira vez são, ou pela primeira vez percebem que são olhadas e admiradas, seja lá o motivo.

Isso não acontece só com as siliconadas e as “loirosas”, basta alcançar o peso ideal, atingir o objetivo na academia, contratar um personal stylist, etc., e pronto, lá vão as criaturas tirando selfie de todas as partes melhoradas do corpo.

Pare e pense, lembra daquela sua amiga tímida que só usava roupa conservadora: Agora lá está ela com um decote no umbigo? Fazendo campeonato de quem está com a saia mais curta? Fotos e mais fotos de biquíni por todas as praias do mundo, inclusive em dias nublados? Pois é, provavelmente essa mulher atingiu uma meta, investiu em beleza, e quer mostrar em forma de corpo o seu investimento.

De verdade, eu não tenho nada contra o amor próprio, e cada um mostra o que quer na quantidade de pele que tem vontade, não cabe a mim julgar, eu e as outras pessoas olharam porque quiseram, ninguém obrigou. (Como se tivéssemos muita escolha nos tempos em que vivemos).

Às vezes me passa pela cabeça que não se tem a real dimensão do que se está expondo, pode-se verdadeiramente não se ter a menor noção.

Muitas pessoas, por exemplo, após colocarem silicone, passam a não ter qualquer limite para os seus decotes, é como se estivessem com um ser estranho, que não fosse ficar ali para sempre, até que em um determinado momento deixa de ser tão estranho assim, e, como num passe de mágica, consegue-se voltar a gola rolê, ou a qualquer tipo de decote.

Talvez seja mesmo isso, chega-se a um momento em que a pessoa “transformada” se conforma com as suas novas medidas, melhores, mas novas. No entanto, algumas parecem, pela exposição que fazem de si, que não conseguem, de maneira nenhuma, se perceberem daquele jeito. Aquele novo ser parece uma personagem que pode sair por aí com qualquer figurino, ou sem nenhum, o reflexo no espelho é de outra, nunca o seu, fica-se sem uma identidade.

Tenho a impressão, trocando em miúdos, que a pessoa se olha e só vê o antes, e para se convencer do agora se expõe para saber o que os outros acham, e só com curtidas, compartilhamentos e comentários, alimenta, até a próxima foto, o seu ego.

Quanto a minha amiga, esta ficou gostosona, e para quem já era bonita e já se via assim, não precisou nem um dia de decote, Nella foi sem efeito colateral.

Didi Vasconcelos

 

***Se você possui os direitos autorais sobre qualquer imagem e deseja que elas sejam removidas deste blog, por favor entre em contato.***

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3 comentários em “Efeito colateral

  1. Antonella
    11 de agosto de 2014

    Didi, o corpo vira meio domínio público mesmo. A pessoa quer mostrar e todo mundo acha que pode querer ver. Minha gente, ainda são peitos e devem ficar guardados. Kkk
    Bjo
    Nella

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  2. Larissa
    12 de agosto de 2014

    Didi, vc é uma monstra! Li esse post admirando a colocação das ideias, o português e os trocadilhos do começo ao fim. Ao final, só conseguia pensar: esse é o resultado de alguém que consegue ser imune às redes sociais!
    Clap, clap, clap!

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  3. Fabiana
    21 de agosto de 2014

    Didi, sei q to meio atrasada, mas preciso dizer: AMEI o post!!! Bjos, Fabi!

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Publicado em 11 de agosto de 2014 por em Cruz Credo.
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