Afiadas

Cinco amigas cheias de criatividade e pontos de vista diferentes.

O que faz eu me apaixonar por um livro?

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Faço parte de um time de pessoas que, a cada dia que passa, fica menor: os apaixonados por livros. Não digo apenas ler, que é um amor por si só. Tenho adoração pelo objeto livro. Gosto de pegar, passar as páginas, do cheiro que ele tem quando velho. Gosto até da forma torta que ele assume depois de muito manuseio.

Um livro antigo e lido parece que é uma história a parte. Se era viciante e você não conseguia largar, provavelmente será meio amassado, terá respingos da sua bebida favorita ou, quem sabe, de algumas lágrimas… Enfim, é a narrativa de um relacionamento entre o leitor e a história. E como todo bom relacionamento, ele começa com uma paquera…

Às vezes, é amor à primeira vista, você bate o olho, vai com a cara dele, dá uma olhadinha rápida na contracapa e pronto! Foi o suficiente para levar para casa. É muito comum o “blind date”, uma amiga ou um familiar te recomenda: Ele é o máximo, a sua cara, impossível você não gostar. E aí, de novo, sem nem pensar muito, lá está ele na sua casa.

Mas o que eu gosto mesmo é de paquerar um livro… Ah… Aquela indecisão: tenho uns cinco na fila de espera… Ele parece ser tão interessante… Não, não vou levar. Aí, em outro dia: Olha, ele aqui! Poxa… Por que eu não levei mesmo? E é justamente sobre o que me faz mudar de opinião que eu quero falar.

Para começo de conversa (que está mais para meio de conversa), eu sempre tenho em casa uns cinco a seis livros a serem lidos. Sou leitora “olho gordo”, compro mais do que eu consigo ler e ainda peço de presente! Atualmente, poderia ficar uns seis meses sem nenhuma aquisição e adivinhem o que eu fiz semana passada?

Voltando ao tema, para eu resolver comprar um livro, eu tenho que ser conquistada, e estou começando a aprender o que me fisga. A primeira coisa é a capa. Sim superficial, eu sei. Mas, convenhamos: num passeio por uma livraria, o que te faz parar em um determinado livro e não em outro? Uma capa que chama atenção.

Só que, ao contrário de muitos, as capas mais simples ou com um ar retrô me conquistam muito mais. Ou, um clássico reeditado com uma encadernação bem cuidada (aí, é amor profundo!). Capa dura é uma tentação quase sempre. Por outro lado, me dá preguiça livros muito grossos, porque dificulta a leitura e o “transporte”. Toda vez que vejo um livro com mais de quatrocentas páginas penso: o que as pessoas têm contra volumes separados???

Enfim, seu olhar foi fisgado e, com sua mãozinha delicada, você faz o primeiro contato físico, o que surge? O título! Sim, ele que foi feito para despertar seu interesse e dizer um pouco do que tem ali dentro, deixando um mistério no ar. E que diferença um bom título faz… Tenho mania com título, acho que pode ser decisivo na escolha de levar um livro.

Pensa bem: não é o título que intriga? Quem é Dom Casmurro ou Madame Bovary? Que G.H é essa e o que ela pensa sobre paixão? Que Caixa-preta é essa a ser aberta? Por isso, odeio títulos muito longos ou explicadinhos, têm que despertar a curiosidade sem entregar o jogo.

O próximo passo naturalmente é olhar a contracapa e as orelhas. E, esse momento pode ser crucial. Em primeiro lugar, senhores editores, o “currículo” do autor não deveria caber em seis míseras linhas. Apresente sua estrela, diga quem é, de onde veio e o que faz. E isso é muito mais que a titulação e os prêmios. Isso é: sobre o que escreve, porque decidiu ser escritor, os países onde morou e suas influências! Já viram que raras vezes sou fisgada pela bio do autor.

Mas, tudo bem, vamos ao “resuminho” da história ou uma resenha. Nossa, como é difícil um livro que marque 10 nesse ponto. Toda vez que vejo uma crítica ou prefácio de alguém estrelado já fico com um pé atrás e acho que a generosidade por ser por amizade e não por acreditar no suposto novo talento. Quando resolvem fazer uma sinopse da história costuma ser pior. A capacidade de simplificação e distorção das editoras é surpreendente. Nem sempre um romance que narra uma separação é sobre uma separação, ele pode ser sobre uma mulher desabrochando…

Bom, mas eu sou boazinha e, mal ou bem, a capa e o título me fisgaram. Então, vem a prova de fogo: ler páginas aleatórias. Quer dizer, não tão aleatórias: leio sempre, sempre, sempre a primeira página. Um bom primeiro parágrafo pode ser o suficiente para o início de uma paixão… Como não amar Clarice ou Saramago?

Depois, escolho páginas, aí sim, aleatórias até a metade do livro. Nunca, nunca, nunca leio da metade para o fim, e, nem em pensamento, leio a página final. Se ela termina a narrativa, ela foi pensada para fechar o livro e só terá sentido e força se for lida assim (pressupondo que você está lendo uma boa história).

Se, depois disso tudo, não surgiu aquela aflição: como viverei sem esse livro?,é por que vocês não foram feitos um para o outro… Ou será que uma segunda chance vale a pena?

Escrito e publicado por Letícia

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4 comentários em “O que faz eu me apaixonar por um livro?

  1. Fernanda Cecília
    8 de agosto de 2014

    Eu costumava dizer que aeroportos, livrarias e lojas de chocolate eram meus três lugares favoritos da terra. Aeroportos porque significavam uma viagem, lojas de chocolate porque… bom, não preciso explicar, né? E livrarias, obviamente, pelos livros. Descobrir um livro novo é como fazer um novo melhor amigo, é como fazer uma viagem para dentro da nossa mente e da nossa imaginação, é uma das melhores sensações do mundo. Vício total em leitura! Quando eu me converti para iPad as pessoas me perguntavam “mas você não sente falta do cheiro do livro? De virar as páginas?” e “A luz não te incomoda?”. Olha, sim, no começo sentia falta de virar as páginas e do cheiro, mas hoje em dia eu tenho essas experiências sensoriais só que com o novo veículo que é o tablet. A luz nunca me incomodou, graças a Deus, pelo contrário, com ele posso ler a noite sem ter luz de cabeceira. E ir à livrarias ainda é uma delícia. Mas delícia mesmo, delícia de verdade é ter uma livraria, a maior livraria do mundo, em qualquer lugar e a qualquer hora. Isso não tem preço. Amei o post, Lê! Beijos mil

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  2. Larissa
    8 de agosto de 2014

    Adorei o post! Eu tb sou muito gulosa e possuo muitos livros na espera, sempre, só pela incapacidade de não comprá-los!rs Mas confesso que não leio páginas aleatórias. Para mim, capa, título, contracapa, orelhas e a primeira página são suficientes…rs Beijos, Lê!!!

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  3. Michelle
    9 de agosto de 2014

    Sou deste time, não tenho dúvidas. Livrarias são minha perdição, amo ficar horas olhando os livros um por um. O marido fica louco. Mas não sou uma pessoa controlada, longe de mim, compro e leio vários ao mesmo tempo. Por pura praticidade tenho me rendido aos livros digitais, mas não me contento com eles, preciso pegar, sentir, destacar as passagens que amo, etc. e por isso acabo comprando os físicos também quando gosto muito. Mas a maior maluquice de todas, sem dúvidas, é que quando me apego muito não quero que o livro termine, nāo suporto a ideia de ficar sem a personagem na minha vida, sabe como é, então simplesmente não leio o final (sou possessiva e rebelde!). Mais alguém ou realmente preciso de ajuda? 😩😩😬 rs

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    • Letícia
      13 de agosto de 2014

      Pode me incluir no seu time, Michelle!! Me apego e muito, mas vou até o final…

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Publicado em 7 de agosto de 2014 por em Ponto de Vista.
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