Afiadas

Cinco amigas cheias de criatividade e pontos de vista diferentes.

Nem o jambu…

Viciada em Jambu, maniçoba, filhote e outras iguarias paraenses aceitei, mais uma vez, viajar a trabalho à maravilhosa Belém do Pará.

Se arrependimento matasse, pensando bem quase matou…

Vamos ao desabafo:

Sexta feira, não era 13, fui feliz e contente da minha vida ao aeroporto Santos Dumont, pertíssimo da minha casa, para Belém, voo pontual tudo certo no embarque, até que temos autorização para o voo, e… Nada… Surge a voz do comandante: “Nossa decolagem foi atrasada em razão de um objeto no trem de pouso, não se preocupem, já foi retirado e agora somos o terceiro da fila.”

Como assim um objeto? Sou da filosofia que não existe tragédia anunciada, então me acomodei em minha poltrona na saída de emergência, fiz meu sinal da cruz, e dormi.

Algumas horas de voo depois, reparo a densa floresta e os rios. Já estamos nos direcionando para o pouso “só que não!”. Uma chuva, que só uma precipitação dos infernos é capaz de mandar, começou. A turbulência por si só já deixaria qualquer pessoa preocupada. Até que o querido piloto avisa que está se preparando para o pouso. Durante os 15 minutos que se passaram, eu, da minha janela de emergência só via floresta, floresta e mais floresta, nem sombra de uma pista de pouso, nem das clandestinas.

O AVIÃO ARREMETE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Mais uma vez a voz do piloto: “Senhores passageiros, aqui é o comandante, em razão da chuva não foi autorizado o pouso, ficaremos aguardando até que a torre dê mais informações.”

Depois de 40 min rodando sobre a floresta, volta o comandante: “ Senhores passageiros, em razão da chuva que caiu sobre Belém não será possível pousar, pois a pista não tem capacidade de drenagem. Adiantaremos a escala pousando em Macapá, por não termos mais combustível para aguardar a autorização.”

Neste momento, em que o delicado comandante contou da falta de combustível eu, que até então estava calma, entrei em pânico. Ele já tinha avisado que ia para Macapá? E se lá estivesse chovendo? A pista drena? E por que diabos em um lugar que quando chove vem o mundo abaixo a porcaria da pista não drena?????????????

Pensei na minha vida, na minha família, meu namorado, nas coisas que eu guardava e economizava para o futuro… Para que?

Acho que não demorou 5 minutos e estávamos pousando em Macapá. Estava viva, não inteira. Todos bateram palmas. Acredito que todo mundo, ou pelo menos quem tem amor por alguma coisa, estava pensando nessas loucuras.

O Comandante: ” Aqueles passageiros que se destinem à Belém favor aguardar dentro do avião, até que tenhamos informações sobre o seu destino.”

Pronto, era só o que me faltava, presa dentro de um avião sendo abastecido, cheio de gente ligando para os seus parentes contando que quase desencarnou e que estava esperando em Macapá… O melhor eram os ‘aeromoços,’ cada um falava uma coisa: um que só levantaríamos voo se fosse certo o pouso, outro que podíamos ter que pousar em outro lugar  ou mesmo ficar em Macapá.

Eu não posso voltar para o Rio? Juro que não quero mais brincar disso! Pensei.

Não pude, fui para Belém…

Dessa vez, pousamos e desembarcamos.

No dia do meu compromisso em Belém tive a certeza que era para eu ter ficado em casa, ou, quem sabe, conhecer as comidas de Macapá, por que não? Acho que foi um dos piores trabalhos que eu já tive na vida, a ponto de ter me dado vontade de rir sem parar várias vezes pensando: Meu Deus, o que estou fazendo aqui.

Ao final, na véspera de retornar para minha casa, fiz a única coisa que alguém no meu estado poderia, enchi a cara, e comi muito bem, obrigada. O excesso de jambu e de cachaça paraense foram essenciais para me anestesiarem para voo de volta. Cheguei no Rio muito bem, direito para o trabalho…

Acho que agora precisarei de argumentos mais fortes que uma excelente culinária para me tirar de casa para ir para Belém.

Zeca Baleiro tem uma música, Você é má, que diz o seguinte:

(…)A Deus dirá
Diz que não vai à Belém
Você é má
Mas pode ter um bem(…)

Vou te dizer uma coisa, tô com a má e não abro…

 

Didi Vasconcelos

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4 comentários em “Nem o jambu…

  1. Fernanda Cecília
    4 de agosto de 2014

    Didi, que aventura! Vou recomendar um banho de sal grosso pq isso é olho grande na minha amiga loira! beijos 🙂

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  2. Bruno Peixoto
    5 de agosto de 2014

    Que loucura… Mas continuo me perguntando: e se em Macapá também estivesse chovendo ? Rss. Sorte a nossa que não !!!

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  3. luanapcosta@oi.com.br
    5 de agosto de 2014

    Tadinha da minha amiga!!! Fico imaginando o desespero na hora…mas se prepare que voltaremos lá em setembro viu? kkkkkkkkkk…bjoks.

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  4. Larissa
    8 de agosto de 2014

    Didi, como parar de rir??? (Até rimou!!!)
    Sinto muito por vc ter passado por tudo isso, mas fico feliz que tenha em resultado em um post tão espirituoso! (Sério, não consigo parar de rir!!!).
    Beijos, sumida!!!

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Publicado em 4 de agosto de 2014 por em Desabafo.
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